11.19.08
PL do senador Azeredo e o FlashMob
Hoje vamos esclarecer a verdade sobre um assunto que volta e meia vem à tona junto a blogosfera brazuca (hein? Depois falaremos da “blogosfera”). Trata-se do Projeto de Lei Substitutivo do senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) também conhecido como Projeto dos Cybercrimes, ou projeto de crimes na internet, ou projeto “mimimi vai acabar com a internet”. Se você não souber do que estou falando, pode ler um pouco mais aqui na safernet ou se informar pela internet da vida.
Todo o mimimi que está surgindo sobre o PL fala principalmente da definição de troca de conteúdo que, pela abrangência de termos colocados no projeto, tipifica como crime qualquer troca de informações sem autorização do criador. Desta forma, segundo argumentam alguns, tanto o fato de gravar uma página de internet acessada em cache quanto a cópia de um episódio de uma série via bittorrent seriam classificados como crime, visto que o PL não faz diferenciação entre um e outro, só para dar um exemplo primário (copiar uma música que você tenha em CD para o seu tocados MP3 também seria outro exemplo).
Sobre esse ponto específico, o que posso dizer é: Acordem!
Se formos analisar a verdade e a realidade por trás disso, os exemplos não servem de argumento. A lei é estúpida sim, porém por outros motivos. Esse argumento de que os termos utilizados vão tipificar uma atividade lícita como crime no mínimo demonstram um total desconhecimento da realidade.
Digamos que a lei seja aprovada e você executou uma atividade lícita que, por interpretação, poderia ser considerada ilícita pela abrangência da lei. Em primeiro lugar, você deveria ser fiscalizado, coisa que sabemos que não vai acontecer. Em segundo lugar, você deveria ser processado, coisa que sabemos que não vai acontecer. Em terceiro lugar, teria que ser julgado, coisa que sabemos que não vai acontecer. No julgamento, um juiz irá interpretar a lei e aí sim julgar. Viram a ironia? Leis são interpretadas por juízes, ou seja, mesmo que a lei não seja específica, um juiz irá determinar se o fato se enquadra ou não na lei. Logo, esse argumento escroto de falta de especificidade é no mínimo ridículo, mas prossigamos…
Todo mundo que está batendo os pés no chão e fazendo muxoxo em relação a parte de troca de arquivos o faz porque sabe de uma coisa simples: Todo mundo faz pirataria e não quer ver isso classificado como crime. Que atire o primeiro DVD quem nunca baixou uma musiquinha sequer pela internet. Sim, estou chamando de “criminosos” estas pessoas, da mesma forma que os são aqueles que tomam uma cerveja e depois saem dirigindo seus carros. Afinal temos uma lei que proíbe isso, apesar de quase ninguém estar respeitando mais pela falta de fiscalização. Sim, somos todos criminosos, meus caros, em alguma lei que existe e que temos ou não conhecimento.
Existe um segundo aspecto interessante deste projeto de lei que trata de provedores de internet, mas esse assunto discutiremos em outro post.
Para finalizar este, vamos falar sobre o FlashMob ocorrido semana passada e organizado por blogs e twitter com o objetivo de protestar contra o projeto de lei. Se você não sabe, flashmob é uma mobilização relâmpago e sem aviso de diversas pessoas com o objetivo de promover algo bizarro, cômico ou qualquer outro motivo por um curtíssimo espaço de tempo. Traduzindo, você está andando pela rua e, de repente, trocentas pessoas vindas sabe-se lá de onde se reúnem, imitam galinhas e desaparecem como se nada tivesse ocorrido, por exemplo. Isso já saiu de moda há pelo menos uns dois ou três anos (e nem fui eu que disse isso). Pois bem, blogueiros e tuiteiros resolveram fazer um flashmob de protesto, conseguir algum espaçozinho na mídia por um curtíssimo espaço de tempo (tá o link alí em cima pra provar) e cair no total ostracismo nos “corredores do senado”. Ou vocês acham, sinceramente, que esse tipo de coisa serve pra algo realmente útil como sensibilizar senadores? Ah, façam-me o favor.
Se sou à favor do projeto? Não, não sou. Mas não por esses motivos imbecis. O projeto em sí é inócuo, não vai servir pra nada e será apenas mais uma lei que não vai pegar no Brasil. Em outra oportunidade, pra não me alongar muito, direi o porquê. Por hora, basta saber que é um projeto feito pelas pessoas que menos conhecem qualquer assunto (senadores), para ser aprovado por pessoas que desconhecem totalmente qualquer assunto (senadores) simplesmente para ter o nome na mídia (senadores).
11.18.08
Apple Inc.
Pra começar bem, hoje vamos escancarar a verdade mais verdadeira sobre a Apple.
Empresa nascida nos idos de 1976, começou inovadora capitaneada pelo nerd master Steve Wozniak e seu amiguinho gente boa porém totalmente insano Steve Jobs. Juntando um monte de peças eletrônicas disponíveis em qualquer Radio Shack da vida, montaram um computador pessoal revolucionário chamado Apple. Estamos falando do Apple II, qualquer coisa que tenham feito anteriormente não merece referência.
Projetinho bacana, o Apple II foi um sucesso, principalmente por suas características abertas, o que permitiam que qualquer maluco com conhecimento técnico pudesse pintar e bordar no danado.
Foi nesse instante que o maluco-beleza-megalomâniaco-vou-dominar-o-mundo Steve Jobs, mostrou as garrinhas. Defensor ferrenho de algo chamado controle, Jobs fechou a plataforma, impedindo o licenciamento de software e hardware pra terceiros. “A bola é minha, se eu não puder jogar levo pra casa e não tem mais futebol” deve ter dito Jobs na época.
Desde então a Apple se tornou exatamente isso, a empresa mais fechada da história da computação pessoal.
Desde o Apple Lisa, onde a tentativa de encapsular aplicativos como editor de textos e planilhas de cálculo dentro do sistema operacional, gerando uma caixa preta tecnológica (tá duvidando, procura no youtube vídeos de demonstração do Apple Lisa) como nunca vista, até a adoção do do BSD como sistema operacional de seus MACs, porém totalmente fechado dentro de uma interface bonitinha extremamente amarrada por eles, a Apple vem primando por tentar ter o controle integral de tudo o que faz em detrimento do poder de decisão de seus clientes.
Antes que os defensores da plataforma Microsoft ou Linux comecem a dar pulinhos de alegria, já aviso: Não estou tomando partido, estou apenas falando a verdade. Em próximas ocasiões falarei a mesma verdade sobre estes assuntos.
É claro que existem méritos nesta política de sistemas fechados. A idéia é ter uma máquina que efetue, de forma satisfatória, as tarefas para as quais ela foi projetada. Neste ponto a Apple atende a média. Suas máquinas e gadgets são estáveis e cumprem o seu papel. Porém, a grosso modo a possibilidade de customização, intervenção e acesso à baixo nível é inerente a um sistema informatizado. Um liquidificador com tecnologia fechada é aceito, um computador, não.
Quanto a outros dois aspectos apregoados pelos defensores da Apple, como inovação tecnológia e design, algumas palavrinhas. Inovação tem um poder multiplicado quando temos uma plataforma aberta. Vide a internet que tem uma taxa de crescimento em relação a inovação exponencial exatamente por seu caráter aberto e libertário. A Apple, em sí, não inova. Ela converge e investe em novas tecnologias óbvias. Existe um mérito aqui sim, porém nada que justifique a criação de uma nova religião baseada em Jobs, o profeta maluco beleza.
Em relação a design também não conseguimos enxergar nenhuma grande inovação. É notícia velha as fontes de design claramente copiadas de projetos de terceiros e antigos. Basta uma pequena pesquisa por aí (google pode te ajudar, acredite. Apesar dele também ter verdades contrangedoras que precisam vir à tona).
A palavra cópia ficou forte demais no parágrafo anterior? Não deveria, visto que o nosso querido psicopata Steve Jobs já pratica esta modalidade olímpica desde o primeiro sistema visual de operação baseado em mouse que ele copiou sem remuneração da Xerox, lá nos idos de guaraná com rolha.
Apple Inc., vendendo para você, desde 1976 o que ela quer, que vai funcionar do jeito que ela quiser, para o hardware que ela quiser, com o software que ela quiser deixar você desenvolver ou instalar. Você pode até usar um Apple, mas tenha certeza, a Apple Inc. também usa você.